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Fabrício Brito - Jornalista
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Do Porto de Santos para o mundo: projeto social transforma a trajetória de jovens da Baixada Santista e insere talentos no mercado internacional de cruzeiros

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Por Fabrício Brito – Deck4 Foundation

O Brasil vive hoje um dos seus maiores paradoxos sociais: nunca tivemos tantos jovens conectados, escolarizados e cheios de potencial, mas, ao mesmo tempo, nunca foi tão difícil transformar formação acadêmica em trabalho digno, renda e perspectiva de futuro. Segundo dados recentes do IBGE e do IPEA, o país possui cerca de 34 milhões de jovens entre 18 e 29 anos, dos quais mais de 23% estão fora do mercado de trabalho e da educação formal, o grupo conhecido como “nem-nem”. Entre os jovens das periferias urbanas, este percentual ultrapassa 30%, refletindo desigualdades estruturais, baixa mobilidade social e a ausência de políticas públicas integradas de inclusão produtiva.

É neste contexto que iniciativas intersetoriais, que unem assistência social, educação profissionalizante e desenvolvimento humano, tornam-se estratégicas para a superação da vulnerabilidade social e para a promoção da cidadania. Um exemplo concreto desse impacto é a trajetória de Camilla de Oliveira Lopes Teixeira, nascida em 9 de maio de 1993, natural de Santos. Camila ingressou na primeira edição do Programa Social Jovens Tripulantes, iniciativa da Fundação CENEP, em parceria com a Autoridade Portuária de Santos, a Deck4 Foundation e a Prefeitura Municipal de Santos. O projeto foi concebido como um programa piloto de qualificação integral, com foco na juventude em situação de vulnerabilidade social, oferecendo 72 bolsas integrais em formato EAD, voltadas à formação profissional para atuação em navios de cruzeiros.

Embora Camilla fosse formada em Relações Internacionais pela Universidade Católica de Santos (UNISANTOS) e pós-graduada em Administração de Empresas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), sua trajetória profissional era marcada pela precarização: empregos informais em pizzarias, bares e restaurantes, sempre fora da sua área de formação. A dificuldade de inserção no mercado formal, realidade vivida por milhares de jovens brasileiros, impedia a construção de um projeto de vida sólido.

A partir do ingresso no programa, Camilla passou por um processo intensivo de preparação totalmente online, com aulas técnicas voltadas à indústria de cruzeiros, formação em inglês instrumental e conversacional, módulos de desenvolvimento socioemocional, postura profissional, comunicação intercultural, orientação vocacional e acompanhamento individualizado de carreira realizado pela equipe especializada da Deck4. Após cerca de um ano de preparação, Camilla foi aprovada em processo seletivo internacional e embarcou na companhia italiana Costa Crociere, para atuar como Atendente de Buffet no navio Costa Diadema. Sua primeira experiência a bordo já foi histórica: o navio foi utilizado como unidade habitacional oficial para delegações da COP 30, em Belém do Pará, permitindo que Camilla vivenciasse, logo no início de sua carreira internacional, a integração entre indústria marítima, diplomacia, sustentabilidade e grandes eventos globais.

Durante esse período, permaneceu 12 dias embarcada na COP 30, atuando diretamente em um dos maiores eventos ambientais do planeta. Mas Camilla embarcou na Europa, tendo a oportunidade de conhecer cidades como Barcelona, seu destino favorito, além de outros portos da Europa. Já na temporada brasileira, passou por destinos como Belém, Itajaí, Ilhabela, Búzios, Buenos Aires e Montevidéu, consolidando uma trajetória que, até pouco tempo atrás, parecia inalcançável para uma jovem santista. “Estou embarcada a bordo do Costa Diadema há exatos 2 meses. Aqui se trabalha muito, não é brincadeira! O cansaço bate, a saudade aperta em alguns momentos, mas tudo tem o seu lado bom! Até o momento conheci pessoas incríveis e aqui dentro como tudo é muito intenso, as amizades se formam rápido, minha cabine eu chamo de casa. Aliás, todos chamamos. Apesar do cansaço, a vida a bordo é uma experiência incrível e de muitos aprendizados e crescimento pessoal! E é claro temos o bônus de conhecer lugares incríveis.”, afirma a ex-aluna do Projeto Social Tripulantes do Cenep.

Camila é hoje símbolo de um modelo de política pública eficiente, que articula assistência social, ao priorizar jovens em situação de vulnerabilidade; educação profissionalizante de qualidade, em formato híbrido e acessível; formação humana e socioemocional, fundamental para a permanência em mercados internacionais altamente exigentes e empregabilidade real, com inserção direta no mercado formal, em vagas com remuneração em moeda estrangeira e possibilidade de mobilidade social ascendente. O impacto do programa já se reflete também na segunda edição, que conta com mais de 20 alunos aprovados em processos seletivos internacionais e dezenas em fase final de recrutamento, demonstrando que se trata de uma política de inclusão produtiva consistente, escalável e com resultados mensuráveis.

Diante das estatísticas alarmantes sobre desemprego juvenil e da fragilidade das políticas tradicionais de primeiro emprego, o Porto de Santos, a Fundação CENEP, a Deck4 Foundation e a Prefeitura Municipal de Santos recalculam a rota da juventude da Baixada Santista. Ao invés de políticas paliativas, oferecem formação integral, acompanhamento contínuo e oportunidades concretas de inserção no mercado global. Camila não é exceção. Ela é a evidência de que, quando educação, assistência social e mercado de trabalho dialogam de forma estruturada, o território deixa de ser limite e passa a ser ponto, ou melhor, porto de partida. Do Porto de Santos para o mundo. À frente da Deck4 está o empresário do audiovisual André Vieira, que encontrou na associação privada sem fins lucrativos uma forma de potencializar toda a sua trajetória profissional e pessoal, integrando sua expertise em produção de conteúdo à metodologia educacional desenvolvida pelo tripulante, educador e jornalista Fabrício Brito. Nascido e criado na periferia de Santos, na comunidade da Escadaria do Breck, no Jabaquara, André é resultado direto de uma educação que rompeu barreiras e o levou a ocupar hoje também o cargo de fundador e proprietário da FIXE Produtora. Sua história se soma ao impacto do Programa Social Tripulantes do CENEP, consolidando o projeto como evidência concreta de que a articulação entre poder público, organizações da sociedade civil e iniciativa privada é capaz de promover transformações estruturais e duradouras na vida da juventude brasileira.

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